Um espaço de eco. Uma caixa de cartas esquecidas. Um arquivo de pensamentos que não encontraram endereço. Contém erros, pois é visceral. Tudo é Perfeito e vem sem esforço. Aqui o Leitor não é convidado, ele é tolerado.
Um espaço de eco. Uma caixa de cartas esquecidas. Um arquivo de pensamentos que não encontraram endereço. Contém erros, pois é visceral. Tudo é Perfeito e vem sem esforço. Aqui o Leitor não é convidado, ele é tolerado.

A degustação de Whiskey
Depois de voltar para Dublin, eu estava decidido: Era vez de realmente começar a vida em Dublin (pela 4ª vez haha).
A semana começou com um passeio ao museu o whiskey junto com o Y. Ele tem um sonho de ter seu próprio bar e tem uma coleção enorme de whiskeys. Como eu gosto da cultura japonesa, foi muito legal passar a tarde naquele passeio.
Além disso, me surpreendi por ter whiskeys que são bem palatáveis. É uma experiência similar ao vinho, mas com uma agressão alcóolica maior. A Irlanda é um país muito famoso pelos whiskeys




A festa dos erros
A Atlas divide suas aulas por “terms”, entendo que seja algo relativo a bimestre. Ao fim de cada um desses termos, eles organizam uma festa. Eu e o F. fomos para a festa com o espírito de que seria uma balada insana como outras pessoas tinham comentado. A festa sexta-feira na residência da Atlas. Fiquei impressionado por eles terem uma área daquele tamanho em Dublin. De uma forma muito estranha, eu troquei meu espírito para algo que nunca fui e nunca vou ser, babaca e ignorante. O por quê? Não sei.

Chegamos lá, parecia um velório. Dois sets de mesas dispostas em um mini ginásio com um palco como todos sentados, sem luzes e um pessoal servindo um cachorro quente e a cerveja. O pessoal até começou a ficar um pouco mais animado mais para o final, mas estava óbvio, a festa não podia acabar lá. Próximo destino? Diceys,óbvio.
Arrebanhamos cerca de 20 pessoas para ir para a Diceys. No caminho, algo muito engraçado aconteceu. Vi uma japonesa que parecia um pouco mais animada que o normal, carinhosamente apelidamos ela de bandeira. Eu tinha falado com ela apenas uma vezes durante o intervalo e como sempre, ela se surpreendeu por eu falar um pouco de japonês. Quando estendi a mão para cumprimentar ela, ela imediatamente falou: “Nossa, sua mão está tão quente” e eu, imediatamente respondi: “E a sua está muito gelada, vou esquentar para você”. Fomos de mãos dadas e conversando quando eu ouço alguém chamar meu nome “LUCAAAAASSSS”, quando eu olho, outra japonesa, Y., começou a reclamar porque eu estava segurando a mão da bandeira. O mais impressionante foi que a própria bandeira falou “Está tudo bem, eu deixei”. Nesse momento, achei muita graça porque a Y. estava muito brava como se eu estivesse abusando da garota. Será que foi ciúmes?

Ao chegar na Diceys, a Y. e o Y. decidiram ir para casa enquanto todo o resto entrou. Diretamente ao chegar lá, continuei de mãos dadas com a bandeira e perguntei se ela gostaria o movimento da balada comigo. Quando cheguei e falei que estava achando legal estar ali com ela e ela concordou, em seguida eu perguntei: “E quantos brasileiros você já beijou?” e tentei me aproximar. Ela rapidamente falou que não e saiu.
Não sei ao certo porque fiz isso, mas no momento nem me importei. Continuei a dançar e a curtir. Parecia que eu estava sendo outra pessoa.
Nessa mesma noite, eu comecei a conversar com uma coreana e ela foi muito simpática comigo, resultado: Quando eu estava indo para o banheiro, encontrei ela e tentei beijar ela e ela não queria e a amiga puxou ela para resgatar ela de mim. Eu também não me importei com essa situação no momento até porque, ela continuou lá, dançando e curtindo. O problema foi no dia seguinte…
Primeiro que a Y. começou a dar rage aleatório em mim e eu mandei uma mensagem de desculpas para a Coreana porque sabia que tinha feito merda com ela.


Nesse momento, eu me senti muito mal porque eu percebi que fugi um pouco de quem eu sou mas acho que esse fato foi muito marcante para entender sobre culturas. No dia seguinte fiquei retido dentro da sala, sem sair e com meu clássico mood de introspectivo. Entendi que eu estava em um momento que estava indo para festas todos os dias e me permitindo ser alguém diferente, mas nisso, eu causei situações desconfortáveis e também vi o quanto isso prejudica minha personalidade, aquela então seria minha última semana de festas todos os dias e também deixando um decreto Anti Diceys.
Com carinho, Lucas