Despedidas

Com certeza, 2025 foi o ano das despedidas para mim. Parecia que após 30 anos, eu precisava me despedir de todas as coisas que me prendiam no Brasil para enfrentar a decisão que tinha tomado de morar fora do país. Cada novo dia, era menos um dia.

Primeiro, começou com a despedida do Exército Brasileiro. Depois de 10 anos trabalhando como sargento do Exército, foi o momento significativo de realmente abandonar a “estabilidade” que o Exército proporciona de um salário caindo todo mês independente se você trabalhar ou não. Tive boas memórias, fiz bons amigos e principalmente vivi experiências únicas. Tragicamente, se eu escolhesse esse caminho, viveria apenas o marasmo de uma vida normal. Minhas últimas palavras tinham a intenção de demonstrar o medo da incerteza com a falta de perspectiva da carreira. Mesmo assim, era algo que eu precisava fazer.

Depois, foi a despedida do Rio Grande do Sul (RS). Essa sim, foi uma despedida que me doeu pois o RS foi onde me tornei adulto pois realmente morava sozinho, tinha um trabalho, tinha uma rotina, fiz minha faculdade, fiz amigos com uma belíssima cultura onde pude ter várias portas abertas. Considero o RS como casa e o Mato Grosso do Sul (MS) como lugar que nasci. Cada abraço era recheado de afeto verdadeiro. Além disso, foi onde iniciei na Maçonaria e que contarei sobre isso algum dia.

Despedidas encerradas, foi hora de empacotar tudo e ir para o MS para dois meses de pura nostalgia. Pude ver minha família, o Adonis (que é alguém que também merece um post único) e pude me preparar para a vida na Europa.

Campo Grande

Essa for a primeira vez que realmente apreciei a cidade. Talvez no sentimento da perda, temos um olhar diferente sobre a perspectiva do detalhe e o que antes era apenas rotina, agora tem o brilho de novo. Fiz uma pequena pausa em Marechal Cândido Rondon para descansar e após 2 dias de belas paisagens, cheguei em Campo Grande. Entreguei o carro na locadora e fui para a casa da minha mãe. Até aquele mesmo cheiro de terra, a mesma cama, aquela mesma rotina, agora tinha seu valor.

De imediato, assim que o Adonis chegou em Campo Grande, fizemos o que sabemos fazer de melhor: Beber e se divertir. Também tiramos um tempo para entender o que seria essa nova jornada onde de tudo isso ficaram marcadas as seguintes palavras:

Não importa o tamanho da distância, ela nunca vai ser maior que nossa amizade.

Fizemos despedida, bebi, toquei, cantei e principalmente, me despedi. Na ida para o aeroporto, Adonis e sua irmã, A. me levaram. Sem nenhuma lágrima, apenas falamos um rápido até logo.

No supra-sumo da nostalgia, ate gravei um video para mostrar com é o centro da minha cidade natal. Eu ainda não tinha ideia de escrever esse blog, mas já sabia que queria revisitar essa memória algum dia.

Finalmente, dadas todas as despedidas, foi hora de partir para São Paulo onde fiquei na casa da A. e do L. sendo a ultima ponte antes de partir para a Europa. Nesse momento, o post teimoso, teimoso veio para fechar a ultima despedida. Obrigado a ambos por me receberem e me ajudarem.

Parti de São Paulo capital para Campinas com voo direto para Portugal. Já no aeroporto encontrei o Vitor Kley e praticamente acompanhei ele durante todo o período. Desde quando chegamos no aeroporto, na sala VIP, no voo para Portugal e ele ainda me disse que faria um show em Portugal e depois em Dublin. Pelo menos a viagem começou “famosa”. No próximo post vou falar sobre a chegada na Europa mas por agora, encerro com o vídeo de dentro do avião pronto para começar a jornada.

Com carinho, Lucas

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